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Opinião

A era dos computadores biológicos

"... os caras conseguiram integrar sistemas de inteligência artificial num cérebro biológico"
Da Redação
14/01/2024 às 09h49

*Por Cássio Betini

 

Cientistas da Universidade de Indiana, nos EUA, criaram um sistema de computação neuromórfica híbrida (já explico o que é isso) que é parte um hardware de computação tradicional e a outra parte é um organóide cerebral - ou seja, um biocomputador. Eles mesclaram a inteligência artificial que roda nos computadores normais com um "hardware biológico" - uma espécie de cérebro artificial formado por células vivas cultivadas em laboratório, criando assim o que eles deram o nome de brainoware (sem tradução por enquanto para o português).

 

Ou seja, os caras conseguiram integrar sistemas de inteligência artificial num cérebro biológico. Eles dizem que esse tipo de pesquisa servirá para gerar insights sobre os mecanismos de aprendizagem, desenvolvimento neural e sobre as implicações cognitivas de doenças neurodegenerativas. Mas, na verdade, o que está acontecendo é que eles estão criando um computador biológico mesmo.

 

A tal computação neuromórfica é uma área que busca criar sistemas computacionais inspirados na estrutura e no funcionamento do cérebro humano. O objetivo é desenvolver dispositivos que possam processar informações de forma paralela, adaptativa e eficiente em termos de energia, assim como nossos neurônios fazem. Alguns exemplos da sua aplicação são redes neurais artificiais, chips neuromórficos e robôs cognitivos (que pensam).

 

Na verdade, o homem sempre procurou copiar os organismos vivos para criar suas traquitanas. O nome disso é mimetismo e é muito utilizado pela ciência, principalmente na pesquisa de soluções para algum tipo de necessidade. Um exemplo bem modesto é o velcro, aquela espécie de adesivo que gruda para fechar cintos, cadarços, etc. O invento foi inspirado nos carrapichos. Outra são as ventosas que grudam em superfícies através da pressão, foi inspirada nas patas das lagartixas, e assim por diante. 

 

Só que o negócio de copiar organismos vivos está indo muito longe. Cientistas estão desenvolvendo computadores utilizando células vivas do cérebro humano, como dito no início deste texto. E isso é real e chamam-se organoides cerebrais, ou simplesmente mini cérebros. São agregados tridimensionais de células cultivadas artificialmente a partir de células-tronco humanas. Essas células desenvolvem-se e criam tecidos semelhantes aos do cérebro, e esses tecidos são capazes de replicar alguns aspectos mais básicos da estrutura e das funcionalidades do cérebro.

 

Os cientistas então incorporaram esse organoide em um tipo de rede neural artificial, onde ele funcionou como uma espécie de reservatório físico (HD talvez), capaz de receber e “lembrar” das informações com base em uma sequência de sinais elétricos. Taí então, o biocomputador.

 

O futuro dessa tecnologia depende, é claro, de vários fatores, como o avanço da biotecnologia, a demanda por aplicações específicas e os desafios éticos e regulatórios. Mas algumas possíveis aplicações dos biocomputadores são a medicina personalizada, a segurança biométrica, a bioengenharia e a inteligência artificial. Esta última que permitirá a construção de robôs com algum elemento orgânico - como nós.

 

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

 

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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