Opinião

Os miseráveis: literatura e revolução

“Ser contra a miséria é fácil, difícil é defender os miseráveis” – Vítor Hugo
Da Redação
17/06/2026 às 12h15
Imagem: Divulgação Imagem: Divulgação

Por Hélio Consolaro

 

A obra é composta por cinco volumes e foi publicada em 1862, quando seu autor Vitor Hugo tinha 60 anos, mas ele trabalhou o livro a vida toda. Nesse caminho, ele era um livro de direita ora de esquerda. Em 1862, a sua publicação foi em defesa dos miseráveis, tendo mudado o nome de “A miséria” para “Os miseráveis”. A mudança do nome significou também uma questão ideológica.

 

Embora comercialmente o livro seja frequentemente vendido no mercado editorial compilado em volume único, em boxes de 2 ou 3 tomos físicos, o texto integral original concebido pelo autor sempre segue rigorosamente a divisão destas cinco partes fundamentais: volume 1: Fantine; volume 2: Cosette; volume 3: Marius; volume 4: Idílio da Rua Plumet e epopeia da Rua Saint-Denis; volume 5: Jean Valjean.

 

O livro Os miseráveis, chamado de best seller do mundo, pertence à literatura francesa, tem como autor Vítor Hugo (Victor-Marie Hugo). Seu lançamento foi um evento de caráter mundial.

 

Os Miseráveis (1862), de Vítor Hugo, é o maior exemplo de como a literatura pode atuar como uma arma de transformação social e política. O livro não apenas narra uma história de ficção, mas faz uma radiografia da injustiça social e do espírito revolucionário da França do século 19.

 

Resumo:

 

Os Miseráveis, obra do escritor francês Vítor Hugo publicada em 1862, é uma crítica social que denuncia a miséria, a desigualdade e a injustiça na França do século 19. A história acompanha a jornada de Jean Valjean, um homem comum que busca redenção após passar dezenove anos preso por roubar um pedaço de pão para alimentar sua família faminta.

 

Marius Pontmercy: Um jovem estudante de direito que rompe com o avô monarquista e se junta aos revolucionários republicanos. Ele se apaixona por Cosette.

 

As Barricadas de 1832: O clímax do livro ocorre durante a Insurreição de Junho em Paris, onde jovens tentam derrubar a monarquia. Valjean entra no combate para salvar a vida de Marius, o grande amor de sua filha adotiva. Nas barricadas, Valjean também tem a chance de matar Javert, mas opta por libertar o seu maior inimigo. 

 

O desfecho de Os Miseráveis amarra o destino dos personagens através de intensos conflitos morais: O suicídio de Javert: atordoado por ter a vida salva justamente pelo homem que caçou implacavelmente, Javert entra em crise existencial. Incapaz de conciliar sua rigidez legalista com a moralidade superior de Valjean, ele se atira no Rio Sena.

 

O casamento: Marius e Cosette se casam. Inicialmente, Marius afasta Valjean ao descobrir seu passado como prisioneiro.

 

A morte de Valjean: Isolado e enfraquecido pela velhice, Valjean recebe o perdão e o reconhecimento de Marius na hora da morte. Ele morre em paz, cercado pelo amor de Cosette e Marius, sob a luz dos castiçais de prata do Bispo.

 

Vítor Hugo e Karl Marx foram dois dos maiores intelectuais do século 19, contemporâneos que analisaram o mesmo conturbado período histórico, mas por perspectivas políticas e metodológicas fundamentalmente diferentes. Suas ideias moldaram a literatura, a política e a crítica social da modernidade. Os miseráveis continuam a desafiar o leitor da era tecnológica.

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna.

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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