Polícia

Causa repercussão vídeo de investigado por homicídio em local com venda de bebida alcoólica

Em liberdade provisória, ele está proibido de frequentar bares, lanchonetes, casas noturnas ou estabelecimentos similares onde se venda ou forneça bebida alcoólica; defesa alega que cautelar é subjetiva
Lázaro Jr.
30/03/2026 às 19h44
Havia latas de bebida alcoólica na mesa onde o investigado estava (Foto: Reprodução) Havia latas de bebida alcoólica na mesa onde o investigado estava (Foto: Reprodução)

O homem acusado da morte de Daniel Freire Devotti, 28 anos, crime ocorrido na madrugada de 18 de outubro de 2025, em uma oficina mecânica na rua Marechal Deodoro, em Araçatuba (SP), foi flagrado em um estabelecimento que comercializa bebidas alcoólicas.

 

Causou grande repercussão um vídeo com imagens dele sentado a uma mesa com várias pessoas foi publicado nas redes sociais no sábado (28). Sobre essa mesa, há latas de bebidas alcoólicas, conforme imagens que foram divulgadas.

 

O acusado do assassinato chegou a ser preso em flagrante, porém, durante a audiência de custódia, realizada no mesmo dia da prisão, foi concedida a liberdade provisória, com medidas cautelares diversas da prisão, a pedido do Ministério Público. 

 

Proibido

 

Segundo a assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), uma das restrições é justamente a proibição de frequentar bares, lanchonetes, casas noturnas ou estabelecimentos similares onde se venda ou forneça bebida alcoólica.

 

O investigado também está proibido de ausentar-se da comarca de Araçatuba por mais de oito dias consecutivos, sem prévia e expressa autorização judicial, e deve permanecer em casa, obrigatoriamente, no período das 20h e 6h de todos os dias, inclusive finais de semana e feriados. Não há informação da data de 

 

Ainda segundo o TJ-SP, o investigado está proibido de ter acesso ou frequentar qualquer lugar em que estejam os familiares da vítima e de manter contato com os familiares da vítima, devendo manter distância de 100 metros.

 

Investigação

 

De acordo com o que foi apurado pela reportagem, o inquérito relacionado a esse caso segue tramitando e por enquanto não há denúncia apresentada pelo Ministério Público. Por isso, o nome do investigado não será divulgado.

 

A reconstituição do crime foi realizada no dia 21 de janeiro, coordenada pelo delegado Michel Araújo Oliveira. Na ocasião, ele informou que ainda aguardava a emissão dos laudos do Instituto de Criminalística para concluir e relatar o inquérito à Justiça.

 

Caso

 

Segundo o que foi divulgado, o acusado do crime estava residindo em um imóvel existente na oficina. Ele alegou que estava ao celular quando ouviu barulho de chutes no portão, seguidos de gritos para abri-lo.

 

O acusado informou que a vítima estava no local acompanhado de outro homem e teria conseguido arrombar, vindo a invadir o imóvel. Ao ver que Daniel estaria segurando um cassetete, o acusado disse que armou-se com uma faca para se defender e o feriu com um golpe na região abdominal.

 

Morreu

 

A vítima chegou a ser socorrida pelos amigos, mas não resistiu aos ferimentos. O próprio autor acionou a polícia, confessou o crime e foi preso em flagrante. A faca e o cassetete foram apreendidos, junto com os celulares dos envolvidos.

 

Duas mulheres que acompanhavam os dois homens que foram à oficina disseram à polícia que o acusado e Daniel tiveram um desentendimento anterior. Elas afirmaram não terem visto a facada.

 

Subjetiva

 

A defesa do investigado, feita pelo advogado Eriton dos Passos Teixeira Dias, argumenta que a medida cautelar imposta é muito subjetiva, pois sugeriria que sequer o beneficiado pela liberdade provisória poderiam ir a um supermercado, dependendo da interpretação.

 

Sobre o vídeo divulgado no sábado, o advogado afirma que o cliente dele foi a um posto de combustíveis na manhã do sábado para abastecer o veículo e tomar água.

 

Como viu que havia alguns colegas na conveniência, ele teria sentado para uma conversa rápida e foi surpreendido pela pessoa que gravou o vídeo. Ainda segundo a defesa, o investigado é perseguido por familiares da vítima. A reportagem confirmou que há procedimentos em andamento nesse sentido no Necrim (Núcleo Especial Criminal).

 

Família

 

Após publicação da matéria, a representação legal da família da vítima emitiu nota negando qualquer prática de perseguição, afirmando que ocorre apenas a legítima atuação para assegurar o cumprimento das medidas cautelares impostas judicialmente.

 

“As restrições são claras, especialmente quanto à proibição de frequentar locais com consumo de bebida alcoólica, e vêm sendo reiteradamente descumpridas, conforme comprovado por registros formais e elementos probatórios”, informa.

 

A nota afirma ainda que teria ocorrido um episódio de perseguição por parte do investigado contra a irmã da vítima, atualmente sob apuração. “A atuação da família limita-se, portanto, à busca pelo efetivo cumprimento das decisões judiciais”, finaliza a nota.

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