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Opinião

Na velhice, rapadura é mole

"As famílias andam se descabelando com tantos idosos"
Da Redação
26/12/2023 às 16h08

Por Hélio Consolaro*

 

Todos querem viver muito, vida longa, mas detestam a velhice. Ainda mais agora com vacinas e remédios, a longividade foi estendida. As famílias andam se descabelando com tantos idosos.

 

Vou escrever sobre um velhinho ilustre que pinta cabelo, usa peruca, complexo de Peter Pan. Não é Papai Noel. Ele esteve dando show em Araçatuba no aniversário da cidade; sentar-se nas primeiras filas da plateia era uma fortuna. Vende cara a sua velhice disfarçada.

 

Não fui. Embora goste de suas músicas, sou um reles proletário. Assisti mesmo ao show do Roberto Carlos, pela TV Globo, dezembro de 2023. Aos 82 anos, o velhinho cantou com muita saudade "Esse cara sou eu".

 

Continua cantando a música porque o homem maduro é mais romântico, se chega ao sexo pelo amor, respeito e outras artimanhas. Preciso fazer o marketing da terceira idade, interesse próprio.

 

Tenho um amigo desbocado que se diz abismado diante da notícia de que um velho estuprou alguém. Onde arrumou virilidade? Será que usou Viagra para praticar tal violência?

 

A outra saída para um idoso é encarar a velhice de frente. Dizer à companheira de que só tem a velhice para lhe oferecer. Nada de tomar Viagra às escondidas. Hipertenso.

 

Ou tenha uma conversa com o molenga no banheiro: “Toda vez que quer mijar, eu me levanto. Por que não se levanta quando preciso?”

 

Você pode também mudar o enfoque de seu problema, pois, de um velho e uma velha na cama, pode surgir uma relação homoafetiva. Como duas mulheres se relacionam na cama sem o Bráulio?

 

Mais uma saída: desbundar de vez: anunciar que precisa de uma cuidadora por 24 horas diárias.

 

Dormir no serviço. Velho cheiroso. De qualquer maneira, vai mesmo ter que deixar a pensão do seu instituto para ela. Na velhice, até a rapadura é mole.

 

A impotência sexual traz embutido um posicionamento político de extrema direita: todos os velhinhos são favoráveis à ditadura.

 

Terminando esse assunto escatológico, compensa dar-lhe um ar cult, citando "Memórias de minhas putas tristes" , de Gabriel Garcia Marques, prêmio Nobel de Literatura, colombiano. Assim este cronista não fica com a fama de boca suja.

 

O personagem narrador do livro não trepava por amor, só pagando. Comeu a empregada da casa; naquele mês, o salário vinha mais gordo.

 

Não se envolvia emocionalmente com as mulheres, era um misógino, mas aos 90 anos se apaixona por uma menina de 14 anos, virgem. Foi a vingança de Eros, deus do amor.

 

Caro leitor, velhinho como eu, prepare-se, suas maldades não passarão despercebidas, o castigo vem a jato. 

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba-SP, Andradina-SP, Penápolis-SP e Itaperuna-RJ

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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