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Opinião

Corrente do bem

"O ser humano não nasce mau ou corrompido"
Da Redação
30/11/2023 às 09h40
Foto: Arquivo Foto: Arquivo

Por Adelmo Pinho

 

Santo Agostinho, em Confissões, disse que o mal existe na ausência do bem. Ele tinha razão. Se o bem está em curso, o mal não tem espaço. Não é simples, mas é assim. Difícil, porém, é distinguir o que é o bem e o mal. Por exemplo: narrativa do mal na boca de um maldoso astuto, pode parecer algo benéfico. Mas, o bem se espalha, ainda que o mal exista e interfira.

 

Não quero cansar o leitor com maniqueísmo, mas o bem e o mal movem o ser humano. O desejo nos move, como ensinou Schopenhauer e o nosso livre arbítrio escolhe o caminho “A” ou “B”, como pregou santo Agostinho.

 

A ideia contida no Anticristo de Nietzsche não pode prevalecer. Ele errou, não por ser ateu, mas ao apontar a caridade, a empatia e a bondade como fraquezas humana, em especial na crítica à doutrina judaico-cristã.

 

A história registra que Nietzsche inspirou Adolf Hitler e o resto todos sabemos ... sem caridade, que é diferente de assistencialismo, não há salvação para a humanidade. Caridade tem relação com amor e empatia. Quando é feita “em proveito próprio” não é caridade, lembrando os personagens do padre e do bispo do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

 

O ser humano não nasce mau ou corrompido. Por si, o poder não corrompe o homem; disse Rousseau que a sociedade o faz. Uma criança não nasce má ou corrupta, a formação da personalidade desta é que a leva a agir de forma certa ou errada. O poder é somente um gatilho, se o mal está adormecido.

 

Machado de Assis foi preciso quando afirmou: “A ocasião não faz o ladrão, faz o crime, o ladrão já nasce feito”. Fiz essa reflexão para falar de coisa boa. Hoje existe grupo para tudo, até para tomar café.

 

Tive conhecimento de vários grupos de pessoas promovendo o bem em Araçatuba e região, mobilizando-se para ajudar famílias necessitadas, com problemas de saúde e econômico. Constatei nesses grupos que o bem se multiplicou numa empatia contagiante, tal como abelhas na colmeia trabalhando em prol da coletividade.

 

As famílias beneficiadas sentiram-se humanizadas e acolhidas, enquanto os anônimos ainda mais, pela oportunidade em ajudar. Nessa ação silenciosa do bem, ninguém questionou ninguém sobre ideologia, partido, culpa ou quem eram as famílias necessitadas: simplesmente, ajudaram!

 

Penso que esse é o caminho para a mudança para melhor de qualquer sociedade. Caridade não tem cor, etnia, partido, ideologia ... caridade é o olhar e o agir empático com relação ao semelhante, como naquela simples frase: fazer o bem, não importando a quem! Isso que nos humaniza e nos diferencia da inteligência artificial. O resto é pura besteira (de asno ou besta mesmo).

 

Adelmo Pinho é articulista, cronista e membro da Academia de Letras de Penápolis

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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