A EFRO (Associação Escola de Futebol Recreativo Operário) de Araçatuba (SP), divulgou nota informando que afastou o presidente da instituição, que foi preso na última terça-feira (2) pela Polícia Civil, ao ser flagrado com conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes do gênero masculino.
O inquérito que resultou no mandado judicial de busca, seguido da prisão em flagrante, foi instaurado pela Polícia Civil de Gabriel Monteiro, onde haveria vítimas do técnico, e que investiga os crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual de menores.
Na nota, publicada na quarta-feira (3), após o caso se tornar público, a associação informa que repudia qualquer forma de violência, abuso, exploração ou violação dos direitos de crianças e adolescentes.
“Em razão dos fatos recentemente divulgados envolvendo o atual Presidente da Associação, esclarecemos que a entidade tomou medidas imediatas para afastá-lo de qualquer atividade, evento, representação ou contato relacionado às ações desenvolvidas pela E.F.R.O., até que a situação seja devidamente esclarecida pelas autoridades competentes”, informa.
Investigado
A associação destaca que os fatos estão sob investigação e que cabe exclusivamente aos órgãos de investigação e ao Poder Judiciário apurar responsabilidades e promover o devido julgamento, sempre observando os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
Porém, acrescenta que mantém o compromisso inegociável com a proteção integral de crianças e adolescentes, em conformidade com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e com os valores que norteiam a atuação esportiva, social e educacional.
“A segurança, o bem-estar e a formação de nossos alunos sempre serão prioridades absolutas desta instituição. Por essa razão, todas as providências administrativas necessárias para resguardar os interesses das crianças, adolescentes, famílias e da própria Associação estão sendo adotadas”, consta na publicação.
Por fim, a entidade se coloca à disposição das autoridades competentes para colaborar com quaisquer esclarecimentos que se façam necessários e informa que seguirá acompanhando o caso com responsabilidade, transparência e respeito à legislação vigente.
Caso
Conforme publicado, a investigação policial apurou que o investigado se aproveitaria da posição de técnico de futebol para estabelecer contato virtual, por meio do WhatsApp e Instagram, com adolescentes com idades entre 13 e 17 anos. Ele manteria conversas de cunho sexual com as vítimas e solicitaria fotos íntimas, alegando que seriam para avaliação física para participação em campeonato de futebol.
Para convencer os adolescentes, ele empregaria manipulação emocional, inclusive discurso religioso. Em alguns casos, teria informado que já havia sido policial, para garantir credibilidade às abordagens realizadas.
Buscas
As buscas autorizadas pela Justiça foram conduzidas pelo delegado Ícaro Oliveira Borges. Equipe esteve na casa do técnico, em Araçatuba, e apreendeu celulares, um pendrive. Em breve análise nos aparelhos, a polícia encontrou fotografias e vídeos de conteúdo pornográfico, envolvendo adolescentes do gênero masculino.
Além disso, foi identificado em um dos celulares, uma conta na rede social Facebook, em nome do investigado, que havia sido desabilitada por violação aos padrões da plataforma relativos à exploração sexual infantil.
Preso
O investigado foi apresentado na delegacia e preso em flagrante por violação do artigo 241-B, "caput", do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prevê pena de 1 a 4 anos de prisão, em caso de condenação. Ao ser ouvido em declarações, ele optou por permanecer em silêncio e pagou fiança para responder em liberdade.
A polícia apreendeu na casa dele um álbum com 18 cópias e duas carteiras de identidade originais de adolescentes e irá investigar se os documentos são de possíveis vítimas. Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão encaminhados para perícia e os dados extraídos serão utilizados na sequência das investigações.