Antônio Fernandes Bezerra, 85 anos, foi morto a facadas no início da tarde de sábado (21), na casa dele, em Guzolândia (SP), município localizado a pouco mais de 80 quilômetros de Araçatuba.
Uma das acusadas do crime é a filha dele, uma mulher de 38 anos, e a outra é uma jovem de 26 anos. As duas cumprem pena na Penitenciária Feminina "Santa Maria Eufrásia Pelletier", mais conhecida como Tremembé, e estavam em saída temporária.
Segundo o que foi informado à polícia, análise inicial apontou ao menos 30 lesões por golpes de faca no corpo de idoso, sendo que dez dos ferimentos foram no rosto, evidenciando extrema violência e emprego de meio cruel por parte das autoras, de acordo com a polícia.
Caso
Os policiais militares que atenderam a ocorrência informaram que pouco depois das 12h chegou a informação de que um homem teria sido esfaqueado na casa dele, na rua Do Vereador.
Quando seguiam para o local, eles fizeram contato com o motorista da ambulância da Prefeitura, que contou que ao chegar na residência, foi impedido pelas duas investigadas de entrar no imóvel. Elas teriam passado a agir de forma agressiva, inclusive tentando agredi-lo.
Elas teriam alegado ainda que ninguém havia solicitado a ambulância e quando ele deixava o local, elas passaram a chutar o veículo utilizado no socorro de pacientes.
Morreu
Quando os policiais chegaram na casa, as mulheres já haviam deixado o local e o idoso foi encontrado sem vida, com diversas lesões por golpe de faca pelo corpo. O local foi preservada e uma equipe em diligência encontrou as investigadas em um bar, ingerindo bebida alcoólica.
Elas teriam tentado fugir ao perceber a presença dos policiais, porém, foram contidas e algemadas. As duas foram levadas ao local do crime, onde a cuidadora da vítima informou à polícia que no período da manhã, quando esteve no imóvel, notou que as duas mulheres estavam ingerindo bebida alcoólica e que Bezerra apresentava lesões nas pernas e na boca.
Confessaram
As acusadas foram ouvidas informalmente pelos policiais militares ainda no local. Segundo o que foi apurado pela reportagem, a filha do idoso confessou ter matado o pai dela, com a ajuda da outra investigada, alegando que teria sofrido abusos quando criança.
Ela contou ainda que na sexta-feira (20) havia transferido R$ 9.000,00 da conta da vítima e repassado o celular do pai dela para um homem de 49 anos, em troca de entorpecentes.
A outra acusada também confirmou participação no homicídio, tendo auxiliado a filha da vítima no crime, e contou que ela possui histórico de homicídio. Segundo o que foi apurado, as duas afirmaram que o homem que teria recebido o celular de Bezerra também teria participado do assassinato.
Negou
Os policiais saíram em diligência e conseguiram encontrar esse suspeito, que foi ouvido e negou envolvimento no homicídio, assim como afirmou que não teria ficado com qualquer objeto pertencente à vítima.
Os três foram apresentados na delegacia de Guzolândia, onde foi constatado que as duas investigadas cumprem pena no regime semiaberto na Penitenciária Feminina de Tremembé e haviam sido beneficiadas pela saída temporária.
Na delegacia, a filha do idoso assassinato alegou que o único familiar que possuía era o pai dela. A polícia conseguiu ouvir uma testemunha, que relatou ter encontrado a vítima ainda com vida e que ela teria indicado a filha e a outra mulher como autoras do crime.
Segundo a polícia, também foram obtidas informações de que dias antes do assassinato, as investigadas teriam manifestado intenção de matar o idoso, evidenciando que o assassinato pode ter sido premeditado.
Presas
Diante de tudo isso, a delegada Caroline Baltes, que presidiu o flagrante, decidiu pela prisão em flagrante das duas mulheres por homicídio qualificado pelo meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima, agravado pelo concurso de pessoas.
De acordo com ela, as acusadas optaram por permanecer em silêncio, para se manifestarem apenas em juízo. O homem indicado por elas como partícipe do crime negou as acusações. Ele seria um usuário de drogas conhecido na cidade, que sequer possui conta bancária. Diante disso, a delegada optou por liberá-lo após ouvi-lo.
Ela representou pela decretação da prisão preventiva das duas investigadas, que permaneceram à disposição da Justiça para passarem por audiência de custódia. Como já cumprem pena, independentemente do resultado da custódia, devem retornar para o regime fechado.