A Polícia Civil de Araçatuba (SP) prendeu nesta quinta-feira (9), oito pessoas suspeitas de integrar uma suposta organização criminosa, especializada no furto e adulteração de caminhonetes de luxo. Três prisões ocorreram em Birigui.
Entre eles está um permissionário do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), acusado de consultar veículos idênticos para criar dublês. Até mesmo por isso, a operação realizada nesta quinta-feira foi denominada “O Clone” .
A ação foi coordenada pela DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) em conjunto com a DIG de Votuporanga.
Ao todo, 52 policiais foram às ruas para dar cumprimento a nove mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão nos municípios de Birigui, Buritama, Itaquaquecetuba e Poá. Apenas um dos investigados não foi encontrado e é considerado foragido. Ele é de Birigui e teria condenação definitiva por tráfico de drogas.
Furtos
De acordo com a polícia, a investigação teve início após o registro de três furtos de caminhonetes realizados nos meses de outubro e novembro de 2025, sendo dois deles em Araçatuba e um em Votuporanga. Os veículos furtados são todos do modelo Nissan Frontier e são avaliados em aproximadamente R$ 300 mil cada.
Entretanto, o trabalho investigativo da DIG de Votuporanga, aliado à atuação operacional e de inteligência da 1ª DIG/Deic de Araçatuba, permitiu esclarecer ao menos cinco crimes do tipo que teriam sido praticados pelos investigados.
A investigação apontou que para praticar os furtos, dois dos investigados observavam quando as caminhonetes Frontier eram estacionadas e passavam a seguir discretamente as vítimas.
Clonagem
No momento em que o condutor tentava trancar o veículo, a dupla utilizaria um equipamento eletrônico para capturar a codificação do sistema de segurança da caminhonete.
Quando o condutor deixava o veículo, os autores abriam a porta utilizando o código e, de posse de outro dispositivo eletrônico, davam partida na ignição em poucos segundos, deixando o local.
Adulteração
Ainda de acordo com a polícia, as caminhonetes furtadas eram levadas para uma chácara em Birigui, onde eram feitas adulterações nas numerações dos vidros, motor e chassi, transformando-os em verdadeiros “dublês perfeitos”, segundo a polícia.
Para a execução desse serviço, a suposta organização criminosa contava com a participação de um permissionário do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Ele seria responsável por consultar veículos idênticos aos furtados e providenciava o emplacamento com dados correspondentes, para tentar garantir aparência de total regularidade às caminhonetes adulteradas.
Presos
Esse permissionário do Detran foi preso nesta quinta-feira em Birigui, onde foram capturados outros dois investigados. Um deles daria apoio material às adulterações e era procurado pela Justiça por tráfico internacional de drogas. A outra presa na cidade é uma mulher que prestaria apoio financeiro e logístico ao grupo.
As outras prisões ocorreram em Itaquaquecetuba e Poá. Entre os capturados está o homem apontado como líder da suposta organização criminosa; a esposa dele, que seria responsável pelo apoio financeiro; dois executores diretos dos furtos; e um advogado também acusado de integrar o esquema criminoso.
Investigação
Segundo a polícia, durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos três veículos, dois deles com indícios de adulteração. Também foram recolhidas diversas placas de veículos, celulares e computadores que serão encaminhados para perícia.
Os capturados permanecerão à disposição da Justiça e a polícia dará sequência às investigações. Inicialmente eles poderão ser indiciados por furto qualificado, falsidade ideológica, adulteração de sinal de veículo automotor, organização criminosa e corrupção ativa e passiva. Em caso de condenação, as penas podem chegar a 30 anos de prisão.
Detran
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Detran informou que o departamento colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Civil e já instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do credenciado citado.
"A depender do resultado da apuração, poderão ser adotadas medidas administrativas, incluindo o bloqueio cautelar das atividades e a eventual cassação do registro, conforme previsto na legislação vigente", informa a nota.