A Justiça de Araçatuba (SP) determinou o afastamento da função, de um policial civil que está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil, em procedimento por possível caso de corrupção ativa e passiva. O caso está sob sigilo, porém, foi confirmado pela assessoria de imprensa da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado.
A Pasta informa ainda que esse mesmo policial civil já estava afastado preventivamente há quase um ano, como medida administrativa, no âmbito de um PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar). “A suspensão cautelar mais recente decorre de decisão judicial no âmbito de investigação criminal, que determinou o afastamento do policial por 90 dias”, informa nota da SSP.
A reportagem apurou que esse mesmo policial é acusado de envolvimento com o hacker Patrick César da Silva Brito, que aguarda decisão sobre pedido de extradição na Sérvia. Porém, o novo afastamento estaria relacionado a um processo que resultou na condenação de dois réus por lavagem de dinheiro.
Corretor
Um dos condenados é um corretor de imóveis que está preso preventivamente, também acusado de colaborar com o hacker Patrick, no caso de ameaça feita ao juiz que o condenou a 9 anos e 3 meses de prisão por invasão de dispositivo e extorsão contra o ex-prefeito Dilador Borges (PSD) e a esposa dele.
Após a condenação, Patrick divulgou vídeos expondo e ameaçando o juiz autor da sentença e os familiares dele. Um novo inquérito foi instaurado e a Polícia Civil descobriu que o corretor de imóveis, que também havia sido condenado pelo mesmo juiz por lavagem de dinheiro, mudou-se para o edifício onde o magistrado reside e teria passado imagens e demais informações sobre a rotina da família dele para o hacker usar nos vídeos ameaçadores.
Lavagem de dinheiro
O celular desse corretor de imóveis foi apreendido, e ao analisá-lo, foram encontradas mensagens que apontariam que o policial civil agora investigado, teria recebido vantagem indevida para depor a favor dele e outros dois réus, no processo de lavagem de dinheiro.
O Hojemais Araçatuba publicou matéria em agosto de 2020, sobre a apreensão de quase R$ 125 mil que seriam do corretor de imóveis, suspeito de ter se associado a um amigo, investigado por lavagem de dinheiro e agiotagem.
A abordagem aconteceu durante cumprimento a mandado de busca e apreensão em uma “mansão” no bairro Ipanema, que estaria sendo utilizada para realização de festas durante a pandemia.
Na ocasião o corretor de imóveis se apresentou como responsável pela e também teve um notebook, uma máquina de cartão de crédito apreendidos, junto com notas promissórias preenchidas e anotações referentes a empréstimos de dinheiro.
No celular dele havia uma foto do dinheiro apreendido. Ele alegou que havia pego o montante com um morador em Birigui e repassado a um amigo, morador em um condomínio de apartamentos na rua Dr. Francisco Villela.
Os policiais estiveram nesse apartamento, onde o morador confirmou que o corretor havia deixado vários maços de dinheiro na noite anterior e retirou espontaneamente os maços de dinheiro que estavam escondidos debaixo da cama.
Corrupção
O policial investigado teria sido o responsável pelas buscas que resultaram nas apreensões, que foram a base do inquérito que resultou na condenação desse investigado e do corretor, pelo crime de lavagem de dinheiro.
O inquérito policial foi relatado, houve a denúncia do Ministério Público e os investigados viraram réus. Ao analisar o celular apreendido com o corretor no inquérito relacionado às ameaças ao juiz, teriam sido encontrados indícios de que o policial investigado teria sido arrolado como testemunha em favor dos réus, em troca de vantagem indevida.
Apesar de não haver informações sobre o suposto caso de corrupção, a SSP informou que a Corregedoria da Polícia Civil apura todas as circunstâncias dos fatos por meio de procedimento correicional.
Pelo que foi apurado pela reportagem, além da suspensão do exercício da função pública, a Justiça proibiu o policial de manter contato com os demais investigados; de frequentar a unidade policial; além de ter sido determinado o recolhimento domiciliar noturno dele.
Afastado
Com relação à outra investigação relacionada ao hacker e que resultou no PAD, a SSP informa que ela segue em andamento, com análise de provas e realização de diligências. O afastamento inicial por 180 dias foi prorrogado pelo mesmo prazo no final de outubro do ano passado e vence no início de maio.
Questionada sobre possível prorrogação desse primeiro afastamento, a Secretaria de Segurança Pública informa eventuais prorrogações de medidas cautelares, na esfera judicial ou administrativa, são avaliadas conforme a evolução dos respectivos processos e nos termos da legislação vigente.
Acusação
Conforme já divulgado, esse outro processo resultou de inquérito instaurado pela Polícia Civil, que apontou que o policial civil afastado teria feito fotos de materiais sigilosos apreendidos de investigados e encaminhado para Patrick.
Uma das vítimas é um médico investigado pela Operação Raio-X Baixada, que teve o celular apreendido durante cumprimento a mandado judicial de busca. A investigação apontou que o policial teria feito fotos do aparelho e da senha de acesso e passado as informações para o hacker.
O médico teve dispositivos eletrônicos invadidos e passou a ser vítima de extorsão. A polícia apurou inclusive, que Patrick teria pedido um cartão bancário em nome do médico e o utilizado, causando prejuízo à vítima.
As informações apuradas no inquérito da DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) foram encaminhadas para a Corregedoria Auxiliar de Araçatuba, por determinação judicial.
O caso foi reencaminhado para a Justiça Federal de Santos, já que a vítima residia na Baixada Santista quando ocorreram os crimes. Por enquanto não há informações sobre possível denúncia contra os investigados.
Defesa
A reportagem procurou a defesa do policial civil de Araçatuba, que informou que irá se manifestar no processo sobre o novo afastamento.