Um jovem de 23 anos foi preso na noite de sábado (7), em Birigui (SP), ao ser flagrado com uma caminhonete avaliada em mais de R$ 120 mil, que foi furtada no final do no passado, em Votuporanga. O veículo foi encontrado na casa de um primo dele, um policial militar que foi ouvido e liberado.
Os policiais militares que apresentaram a ocorrência relataram que durante patrulhamento especializado pela Rocam (Ronda Ostensiva com Auxílio de Motocicletas), abordaram a caminhonete Nissan Frontier ano 2021, ocupada por três jovens, entre eles, o investigado que a conduzia e se apresentou como proprietário do veículo.
Foi realizada a análise dos sinais identificadores de veículo, como as placas e a numeração gravada nos vidros, não sendo constatada nenhum registro criminal ou irregularidade administrativa, assim, eles foram liberados.
Radar
Entretanto, mais tarde houve o restabelecimento dos sistemas de dados e nova pesquisa pelo Sistema Muralha apontou que uma caminhonete com a mesma placa havia passado por um radar em Ponta Porã (MS), o que levantou suspeita.
Os policiais fizeram contato com a pessoa que consta no registro do documento do veículo e ela informou que a caminhonete estaria com o pai dele, com o qual a equipe conseguiu contato pelo celular. Ele confirmou que estava em viagem e enviou foto da caminhonete estacionada em um estabelecimento em Bálsamo, na região de São José do Rio Preto.
Dublê
Suspeitando que a caminhonete abordada anteriormente poderia ser um dublê, os policiais saíram em diligências e conseguiram encontraram o jovem que conduzia o veículo, no local de trabalho dele.
Ao ser novamente questionado, ele teria admitido que a caminhonete teria origem ilícita e que teria pago R$ 20.000,00 por ela. O investigado informou que a caminhonete estava estacionada na casa do primo dele, um jovem de 22 anos que é policial militar em São Paulo.
Com auxílio de apoio de outras equipes os policiais foram até o endereço indicado e esse segundo jovem entregou a chave da caminhonete, que estava estacionada na frente da casa dele.
Adulteração
Em nova vistoria, os policiais constataram que as etiquetas de identificação haviam sido adulteradas para replicar a numeração constante nos vidros e que a numeração do chassi gravada na longarina do lado direito estava apagada.
Durante varredura eletrônica conectada ao módulo da caminhonete, foi identificado o verdadeiro emplacamento e constatado o registro de furto, feito em Votuporanga, em 6 de novembro de 2025.
Diante da suspeita dos crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, os dois jovens foram encaminhados ao plantão policial.
Liberado
Como o caso envolve um policial militar, o Comando Força Patrulha da Polícia Militar foi comunicado, para as providências administrativas e legais com relação ao membro da corporação.
Entretanto, com relação ao esse policial, o delegado que presidiu a ocorrência considerou não haver indícios de participação dele nos crimes a serem investigados. Em depoimento, o outro investigado afirmou que apenas emprestou a caminhonete ao primo para que ele pudesse utilizá-la no período em que permanece em Birigui.
Preso
Já com relação ao jovem que se apresentou como proprietário da caminhonete, o delegado decidiu pela prisão em flagrante pelo crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor, que tem pena que pode chegar a até 6 anos de prisão em caso de condenação. Assim, não foi arbitrada fiança na fase policial.
Sobre o crime de receptação, o delegado entendeu que no momento, não se pode afirmar que o investigado teria conhecimento da origem ilícita da caminhonete.
Em depoimento na delegacia, ele reforçou que teria comprado a caminhonete em São Paulo, há quatro meses, de um desconhecido, pagando R$ 20.000,00, para uso pessoal. Ele não apresentou comprovante de pagamento e afirmou que não sabia das irregularidades.
O delegado determinou que o veículo seja encaminhado para perícia, para confirmar os sinais identificadores e que trata-se do veículo que foi furtado em Votuporanga e um inquérito será instaurado. Após ser ouvido, o investigado permaneceu à disposição da Justiça para ser apresentado em audiência de custódia.