Polícia

Investigados por agiotagem teriam movimentado cerca de R$ 300 mil

A Polícia Civil identificou ao menos 20 vítimas, depois de uma delas ter o celular roubado por não ter conseguido pagar o empréstimo
Lázaro Jr.
14/09/2026 às 11h52
O delegado Flávio Miranda concedeu entrevista nesta segunda-feira (Foto: Lázaro Jr.) O delegado Flávio Miranda concedeu entrevista nesta segunda-feira (Foto: Lázaro Jr.)

Os investigados que foram presos pela Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (14) em Araçatuba (SP), durante a “Operação Prazo Final”, teriam movimentado cerca de R$ 300 mil com agiotagem. A informação foi divulgada pelo delegado Flavio Miranda, durante entrevista coletiva concedida no final da manhã.

 

De acordo com ele, dos quatro presos, três integrariam um grupo especializando nesse tipo de crime, enquanto o outro seria de outro grupo distinto, porém, que atuaria da mesma forma. Com a apreensão dos celulares durante a operação, a polícia pretende esclarecer a forma de atuação e até identificar outros possíveis envolvidos.

 

Durante a entrevista, o delegado explicou que a investigação é conduzida pela DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) e teve início há cerca de seis meses, após uma pessoa que pegou dinheiro emprestado de um desses grupos procurar a delegacia e registrar boletim de ocorrência informando que teve o celular roubado, por não ter conseguido pagar a dívida.

 

Celular

 

A partir das informações obtidas, a polícia representou pelo mandado de busca e apreensão para os endereços do acusado do roubo. A ordem foi concedida e durante as buscas, a polícia apreendeu o celular dele. Ao analisar o conteúdo desse aparelho, foi possível identificar a existência desses dois grupos investigados, que teriam feito ao menos 20 vítimas.

 

“Tratam de dois núcleos criminosos distintos, que emprestavam dinheiro a juros altíssimos: 40, 50, 60%, com prazo curto para pagamento. Depois, sabendo que as pessoas não poderiam pagar, extorquiam essas pessoas mandando fotos de simulacro de arma de fogo, ameaçando a família, inclusive roubando essas pessoas, objetos pessoais, quando elas não pagavam”, explicou.

 

Valores

 

De acordo com o delegado, a investigação apontou que os juros cobrados pelos investigados variavam de acordo com o potencial de cada vítima, que são pessoas que buscavam dinheiro para pagar alguma dívida. Elas conseguiam o dinheiro rápido, mas não conseguiam pagar o empréstimo, davam o que tinham diante das ameaças e a dívida nunca era quitada.

 

Ainda segundo o que foi informado, normalmente os grupos emprestavam R$ 500,00 para receber R$ 700,00, no prazo de 15 dias. Porém, segundo o delegado, em um dos casos, a pessoa que pegou R$ 500,00 e ainda não havia pago o valor devido três meses depois, já estava devendo R$ 10 mil.

 

Piada

 

O delegado revelou que os investigados, depois de tomarem os bens das vítimas como forma de pagamento pelos empréstimos, se gabavam do feito por meio de mensagens em grupos de WhatsApp. “Na verdade, eles faziam piadas entre eles, quando faziam as cobranças. As vezes eles combinavam de um cobrar a dívida do outro, pois haviam alguns agentes com mais propensão a intimidar, e depois eles ficavam conversando a respeito desses temas no WhatsApp”, contou.

 

As prisões temporárias são pelo prazo de 5 dias, que poderão ser prorrogados pelo mesmo período e, posteriormente, se confirmando os indícios dos crimes, a polícia poderá pedir a decretação das prisões preventivas.

 

Entre os presos, segundo o delegado, estão pessoas que emprestavam as contas para que os agiotas pudessem movimentar o dinheiro obtido por meio das extorsões. Por isso, também é investigado o possível crime de lavagem de dinheiro.

 

Investigações

 

Entretanto, as investigações terão sequência e a polícia deve intimar as vítimas para serem ouvidas para concluir e relatar o inquérito. Não está descartada a existência de outros grupos que estejam atuando da mesma forma na cidade.

 

Diante de tudo isso, o delegado alerta às pessoas que precisam de dinheiro, que procurem os meios legais, pois a agiotagem, apesar de oferecer o dinheiro rápido, terá consequências graves posteriormente, causando traumas na vítimas, de acordo com ele. “Essas duas associações estavam realmente dispostas, pelas nossas investigações, a fazer coisas graves com quem não pagava os empréstimos”, informou.

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