A Polícia Civil de Araçatuba (SP) realizou no início da tarde desta sexta-feira (16), a reconstituição do assassinato do aposentado Rubens Antônio Guarnieri, 68 anos, cujo corpo foi encontrado dentro da casa onde ela morava, no dia 27 de junho de 2025.
A vítima era dono de um lava jato instalado em um posto de combustíveis na rua Luiz Pereira Barreto, o qual estava arrendado, e morava sozinho em um sobrado na esquina da rua Pedro de Toledo com a Guaraciaba.
Os dois investigados por participação no crime estão presos e participaram da reconstituição, de forma separada. Um deles era próximo da vítima e inclusive possuía uma cópia da chave da residência, pois trabalhava como auxiliar, na prestação de serviços residenciais no imóvel.
Rolex
A investigação apontou que ao saber que a vítima havia retornado dos Estados Unidos e trazido um relógio Rolex, adquirido naquele país, esse prestador de serviços resolveu roubar o relógio para vendê-lo e pagar dívidas.
Para cometer o crime ele teria convidado o comparsa e os dois teriam ido à casa de Guarnieri no dia 25, ou seja, dois dias antes de o cadáver ser encontrado. Para a polícia, o acusado imaginava que o aposentado, por conhecê-lo, não reagiria.
Os dois investigados teriam anunciado o assalto e desligaram o disjuntor de energia da residência da vítima, que acabou reagindo. Diante disso, o aposentado foi esfaqueado várias vezes e morreu.
Presos
Os investigados foram presos durante a “Operação Brutos”, deflagrada por equipe da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba no dia 15 de dezembro. O nome da operação é uma menção a uma passagem clássica da literatura de William Shakespeare, que retrata a traição de Marco Brutus, que apunhala Júlio Cesar pelas costas.
O acusado de ser o autor intelectual do crime foi capturado no município de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, para onde havia fugido, enquanto o outro investigado foi encontrado e preso na casa onde moravam, no bairro Alvorada, em Araçatuba.
Reconstituição
Segundo o delegado José Abonízio, responsável pela investigação, a reconstituição foi importante para ajudar a elucidar alguns pontos divergentes, já que de acordo com ele, o homem apontado como autor intelectual do crime confessa participação no assassinato, mas o outro investigado nega.
Assim, segundo o que foi informado, esta etapa da investigação contribuiu para que algumas distorções fossem amplificadas, ajudando a polícia compreender melhor a dinâmica do fato.
“O que se tem de ponto positivo é que detalhes gritantes da cena criminosa que não apareciam nas oitivas se tornaram ainda mais latentes, ou foram resolvidas de modo a direcionar melhor o deslinde da investigação”, afirma.
Investigação
O delegado explica que o caso segue em investigação e a polícia aguarda os laudos periciais dessa reprodução simulada dos fatos. Também falta concluir a análises dos conteúdos dos equipamentos apreendidos durante a Operação Brutus.
Ao término dessa fase, dentro de mais 30 dias, a polícia pretende encerrar a investigação, apontando com clareza as condutas e atribuindo a responsabilidade criminal dos envolvidos, para relatar o inquérito à Justiça.
A reportagem apurou que não está descartada a possível participação de outras pessoas no crime, que é investigado como latrocínio. Porém, isso dependerá do término das análises.