Isabela (esquerda) e Gabriela (direita), cumprem pena na penitenciária feminina de Tremembé (Foto: Reprodução)
Gabriela Pontes Bezerra, 38 anos, que foi presa no último sábado (21), em Guzolândia (SP), acusada de participar do assassinato do pai dela, Antônio Fernandes Bezerra, 85 anos, que foi ferido com 30 golpes de faca, aguardava pedido de livramento condicional.
Segundo a polícia, Isabela de Oliveira Toledo, 26, que cumpre pena de 12 anos de prisão por ter mandado matar o pai dela, em Ubatuba, em 2018, também participou do crime e voltou a ser presa. As duas cumpriam pena no regime semiaberto na Penitenciária Feminina de Tremembé e haviam sido beneficiadas pela saída temporária.
A reportagem confirmou que no caso de Gabriela, ela foi condenada a 5 anos de prisão pelo crime de extorsão, cometido também contra o pai dela. A sentença é de junho de 2024 e na ocasião, ela foi condenada a mais 3 meses de detenção no regime semiaberto, por lesão corporal, acusada de ter ferido o pai dela com um golpe de faca.
Crimes
Ainda de acordo com o que foi apurado pela reportagem, os crimes aconteceram em dezembro de 2023. Na ocasião, o idoso, então com 83 anos, procurou a polícia informando que havia sido agredido pela filha, que exigia dinheiro, pois era usuária de drogas e álcool.
Após tê-lo empurrado, ela teria pegado uma faca e o golpeado no peito. Porém, ele conseguiu desarmá-la e procurou ajuda sozinho. Gabriela foi presa em flagrante ao ser encontrada em um campo de futebol perto da casa da família e negou os crimes.
Entretanto, uma testemunha que estava com ela contou que apesar de estar do lado de fora da casa, viu quando a filha colocou a faca no peito do idoso, pois estava perto da porta.
A reportagem apurou que ao ser ouvida em juízo, Gabriela confirmou que pediu dinheiro para o pai, mas negou que tivesse ameaçado matá-lo. Ela alegou que enquanto cozinhava, teria sido agredida pelo pai com um tapa no braço e segurou a mão dele, vindo a atingi-lo, negando a intenção de matá-lo.
Lesão corporal
Ainda de acordo com o que foi apurado, Gabriela foi denunciada por extorsão e tentativa de homicídio. Ao analisar o caso, a Justiça Auriflama considerou que se tivesse intenção de matar o pai, ela poderia ter desferido vários golpes nele, mas não o fez.
Diante disso, houve a condenação a 5 anos de prisão no regime fechado pela extorsão e mais 3 meses de detenção o regime semiaberto, por lesão corporal, sendo mantida a prisão preventiva.
Embriaguez
Na época, Gabriela já registrava uma condenação pelo crime de embriaguez ao volante. Em 2017, ela foi flagrada conduzindo veículo pela contramão de direção, após ingerir bebida alcoólica. Nesse processo, ela foi condenada a 6 meses de detenção, em regime aberto, e à suspensão da habilitação por 2 meses.
Ao recorrer da sentença, a defesa alegou que Gabriela teria feito o teste do bafômetro sem a presença de defensor e que ela teria “problemas psiquiátricos agravados pelo uso de entorpecentes” . Porém, a sentença foi mantida em julgamento ocorrido em maio de 2023, pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
Condicional
A reportagem pediu informações à assessoria de imprensa do Ministério Público, que informou que Gabriela estaria com as duas execuções criminais em curso na Penitenciária Feminina de Tremembé, a por extorsão e a por embriaguez.
Segundo o que foi informado, ela havia progredido para o regime semiaberto e a defesa ingressou com pedido de livramento condicional. A Justiça havia determinado que ela fosse submetida a exame criminológico, o que ainda não aconteceu.
A assessoria de imprensa da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) confirmou que tanto Gabriela quando Isabela cumpriam pena no regime semiaberto em Tremembé e haviam sido beneficiadas pela saída temporária.
Elas deveriam ter retornado ao presídio na segunda-feira (23). Com a nova prisão em flagrante, as duas devem regredir para o regime fechado e serão indiciadas pelo homicídio qualificado ocorrido no último sábado.
Outra acusada também tem pedido recente para progressão de regime, segundo o MP
A assessoria de imprensa do Ministério Público informou que a defesa também fez pedido para a progressão de pena no caso de Isabela de Oliveira Toledo, acusada de participação no assassinato de Antônio Fernandes Bezerra, 85 anos.
Conforme já divulgado, ela cumpria pena no regime semiaberto na Penitenciária Feminina de Tremembé, junto com Gabriela Pontes Bezerra, que é filha do idoso. Isabela foi condenada em 1ª instância, a 24 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, acusada de participar do assassinato do pai dela.
O advogado Luciano Pedroso de Toledo foi morto a tiros em 8 de novembro de 2018, em Ubatuba. A defesa recorreu da sentença e a pena foi reduzida a 12 anos de prisão. Procurada pela reportagem, o Ministério Público informou que a sentenciada progrediu para o regime semiaberto desde setembro de 2025.
Progressão
Segundo o que foi informado, a defesa de Isabela fez pedido recente de progressão de regime, baseado em exame criminológico realizado na época da anterior progressão de regime. “O Ministério Público foi contra, solicitando que se realizasse novo exame. Ainda pendia análise pelo Judiciário”, informa em nota.
Ainda de acordo com o que foi informado, nos dois casos o MP-SP fará petição informando o ocorrido, para que os respectivos processos e benefícios sejam suspensos temporariamente, além de solicitar informações sobre a prisão das sentenciadas.