A Polícia Militar de Araçatuba (SP) prendeu na noite de terça-feira (2), Carla Cristina Sant’Anna da Silva de Souza, 25 anos, que passou a ser ré em processo pelo assassinato do marido dela, o motoboy Sergio Henrique Patez Lemos, 26.
O crime aconteceu em 20 de dezembro de 2025, no condomínio onde o casal morava, no bairro Vila Aeronáutica. A ré foi presa em flagrante e teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.
Porém, ela estava em liberdade desde janeiro, quando a Justiça atendeu representação do Ministério Público, que entendeu que não haveria mais os pressupostos legais para a manutenção da prisão preventiva.
Risco
Ao apresentar a denúncia, no final de maio, o promotor de Justiça Adelmo Pinho representou pela decretação da prisão preventiva, por considerar haver risco de que Carla influencie indevidamente na produção de provas, especialmente sobre as testemunhas.
O Ministério Público levou em consideração ao fazer o pedido, que a ré demonstrou ser pessoa extremamente perigosa. Isto porque, após o crime, ela teria ameaçado e agredido uma testemunha, além de ter ameaçado mãe da vítima.
Denúncia
Segundo a denúncia, o casal mantinha um relacionamento com histórico de brigas, violência e agressividade por parte de Carla. Naquele sábado, ela e o marido iniciaram uma discussão devido a questões financeira e familiar.
Durante a discussão, Lemos pediu para a mulher deixar o apartamento, o que a teria deixado ainda mis agressiva. A discussão rapidamente evoluiu para agressões físicas, que ocorreram no hall do prédio.
A ação foi filmada por câmeras de monitoramento e as imagens mostram a vítima empurrando a ré para fora do apartamento, enquanto ela insistia retornar ao imóvel, agindo de forma agressiva, segundo a denúncia.
Canivete
As imagens mostram ainda que o casal saiu do bloco onde residia, sendo que o motoboy entrou no apartamento algum tempo depois, mas logo saiu para a rua do condomínio. Carla também entrou no apartamento, onde armou-se com um canivete e foi ao encontro do marido. Ao vê-lo na rua do condomínio, ela teria reiniciado a discussão.
Quando Lemos se aproximou da mulher, ela sacou o canivete que trazia no bolso do shorts e desferiu um golpe no tórax dele. Para o Ministério Público, a mulher agiu de forma premeditada. Após o crime, ela teria corrido em direção ao imóvel e, ao encontrar o zelador do condomínio, disse: “enfiei a faca nele, quero ver ele pôr a mão em mulher”.
Consta ainda na denúncia que a ré investiu novamente contra o marido, tentando golpeá-lo novamente com o canivete. Porém, o motoboy conseguiu fugir, correndo pela rua do condomínio, vindo a cair posteriormente.
Ameaças
Na sequência, Carla teria retornado ao apartamento dela e ameaçado uma vizinha, que estava na sacada, dizendo ainda com o canivete na mão: “Vem aqui pra fora você também”. A ré ainda teria utilizado a arma para danificar a moto da vítima, que teve o pneu traseiro furando.
Lemos foi atendido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que foi acionado por vizinhos. Ele foi levado para o pronto-socorro da Santa Casa, chegou a ser internado, mas morreu no dia seguinte em função dos ferimentos.
Carla foi presa em flagrante e o canivete utilizado por ela foi apreendido. Ao ser ouvida na delegacia, ela confessou ter desferido o golpe com o canivete, causando o ferimento que levou à morte do marido.
Prisão
A ré foi denunciada por homicídio simples e, ao receber a denúncia, na última segunda-feira (1), a Justiça de Araçatuba acatou pedido do Ministério Público e decretou a prisão preventiva da ré. “Assim, comprovada a periculosidade da acusada, a manutenção da restrição de sua liberdade torna-se imperiosa para manutenção da ordem pública, conveniência da instrução criminal e, por consequência, para a aplicação da lei penal, de modo que, presentes os requisitos ensejadores da prisão preventiva”, consta na decisão.
Carla foi presa por equipe do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), que a encontrou no apartamento da mãe dela, na noite de terça-feira. Os policiais foram atendidos pela mãe da ré, que ao ser informada do mandado de prisão expedido pela 3ª Vara Criminal, autorizou a entrada.
Segundo o boletim de ocorrência, Carla estava no interior do imóvel e colaborou com a ação policial, não apresentando resistência ou qualquer indicativo de tentativa de fuga. Ela foi apresentada no plantão policial para formalização da captura e permanecerá à disposição da Justiça, que irá decidir se ela será encaminhada para julgamento pelo Tribunal do Júri.