Opinião

Tecnologia brasileira que pode curar a paralisia

"O que essa pesquisa sugere é a possibilidade de 'religar' esses fios, devolvendo movimentos a pessoas que perderam a capacidade de andar ou usar partes do corpo"
Da Redação
01/03/2026 às 07h11
Imagem gerada por Google Gemini  Imagem gerada por Google Gemini 

Por Cassio Betine

 

Você deve ter ouvido falar nesse assunto: a descoberta feita por uma bióloga brasileira, que promete curar a paralisia. Em termos simples, ela identificou uma forma de regenerar conexões nervosas danificadas, algo que até hoje parecia impossível. Para quem não é da área, basta imaginar que os nervos funcionam como fios elétricos: quando se rompem, a corrente não passa mais. O que essa pesquisa sugere é a possibilidade de “religar” esses fios, devolvendo movimentos a pessoas que perderam a capacidade de andar ou usar partes do corpo. E esse é um daqueles marcos científicos que poderiam colocar o país em destaque mundial.

 

O problema é que, apesar da relevância da descoberta, a pesquisadora da UFRJ enfrentou enormes dificuldades para registrar sua patente e avançar nos estudos. Isso porque o setor científico no Brasil sofre com a falta de recursos e não é prioridade governamental. O foco costuma estar em projetos sociais e assistencialistas, que têm impacto imediato na população, mas deixam de lado o investimento em tecnologia e inovação — justamente o que poderia transformar o país a longo prazo. Esse descaso é uma das razões pelas quais o Brasil permanece sempre atrás em desenvolvimento tecnológico, mesmo tendo talentos e ideias capazes de mudar o mundo.

 

Bom, somente depois da repercussão midiática, quando a história ganhou espaço nos jornais e redes sociais, o governo demonstrou interesse em apoiar o projeto. Agora, anunciaram que desejam distribuir o medicamento gratuitamente pelo SUS, afirmando que será “sem custo” para o paciente.

 

Mas aqui cabe uma reflexão importante: não existe almoço de graça, pessoal. O medicamento, que terá valor próximo a 100 dólares por dose (é bem barato para uma cura desse gênero), será pago através dos impostos recolhidos da população. Ou seja, o custo não desaparece, apenas é redistribuído. O discurso de gratuidade pode até soar bonito, mas na prática significa que todos os contribuintes estarão financiando o tratamento. 

 

Essa situação nos leva a pensar em quantas outras inovações brasileiras poderiam prosperar se houvesse incentivo real ao desenvolvimento científico e tecnológico, e não apenas à entrega de diplomas ou à manutenção de políticas imediatistas. O Brasil tem cérebros brilhantes e potencial imenso, mas sem investimento consistente, muitas descobertas acabam engavetadas ou levadas para fora do país. 

 

A reflexão que fica é: até quando vamos desperdiçar oportunidades de liderar mercados, em vez de apenas correr atrás dele?

 

Cassio Betine: Pós-graduado em Tecnologias da Aprendizagem, Bacharel em Artes e Desenho Industrial. Coordenador e Mentor de Negócios e Eventos. Autor de livros, artigos e produtor de conteúdos diários sobre Tecnologia, Inovação e Comportamento. É empreendedor em outros negócios e fundador da F7Digitall.com – Tecnologia & Comunicação

 

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

Entre no grupo do Whatsapp
Logo Trio Copyright © 2026 Trio Agência de Notícias. Todos os direitos reservados.