Opinião

Procissão e escola de samba

"No tempo em que carnaval era coisa do capeta, e ainda é para setores do evangelismo, pecava-se na folia e na quaresma pedia-se perdão, era o tempo da penitência"
Da Redação
19/02/2026 às 09h47
Foto: Divulgação Foto: Divulgação

Por Hélio Consolaro*

 

Olha lá vai passando a procissão

Se arrastando que nem cobra pelo chão

As pessoas que nela vão passando

Acreditam nas coisas lá do céu (Gilberto Gil)

 

Seja no bloquinho de rua, assistindo pela TV ou em um camarote caríssimo. O importante é deixar a alegria contagiar seu coração no Carnaval. (O Pensador)

 

No calendário de cada ano, vem primeiro o carnaval e depois a quaresma. Na quarta-feira de cinzas, a igreja católica dá início à Campanha da Fraternidade. 

 

Em 2026, fraternidade e moradia, tendo como lema: "Ele veio morar entre nós". Tendo no cartaz um morador de rua dormindo no banco da praça. É o discurso da inclusão.

 

No tempo em que carnaval era coisa do capeta, e ainda é para setores do evangelismo, pecava-se na folia e na quaresma pedia-se perdão, era o tempo da penitência. Há pregador que senão existisse o diabo, não consegue catequisar. 

 

No Congresso Nacional, segundo pesquisa o site Agência Pública, capeta domina os discursos de políticos do PL (Partido Liberal). Não se trata de mera coincidência.  

 

Na verdade, na linha da brasilidade, primeiro vem a procissão, depois o carnaval. Primeiro, os negros foram à procissão, ficavam no fim do cortejo. Depois, na hora de organizar o desfile, alguém ensinou:

 

- Vamos em fila, como na procissão, em vez de andor, vamos ter carro alegórico. 

 

E assim fizeram. Na cidade do Rio de Janeiro, onde a africanidade brota do chão, deu-se início à criação de escolas de samba. Depois São Paulo imitou.

 

Durante a ditadura militar, as escolas eram trazidas no cabresto. Nada de crítica. E assim o enredo era conduzido conforme o desejo das autoridades, até nos votos dos jurados. Naquele tempo, se Lula fosse o ditador, a Acadêmicos de Niterói seria a primeira colocada. 

 

Durante a democracia, cada escola escolhe o tema, conforme as normas elaboradas pelos organizadores do desfile. Isso é tão verdade que o prêmio ganho pelo ufanismo (ou puxa-saquismo) da Acadêmicos de Niterói foi o rebaixamento.

 

Esse jeito informal de viver, com democracia e pluralidade, é a cara do Brasil no mundo. Os Estados Unidos perderam a graça. Não queremos dominar o mundo, desejamos paz para todos, isso se chama multilateralismo. O Brasil está se tornando de fato uma pátria amada.

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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