Opinião

Não fomos ensinados a sentir

"Em relação às emoções, fomos ensinados a fingir, a fugir, a negar, a controlar, a aguentar; e isso adoece"
Da Redação
05/08/2026 às 16h59
Foto: Divulgação Foto: Divulgação

Por Eliane Cabral

 

Aprender a sentir talvez seja uma das tarefas mais difíceis da vida. Muitas pessoas aprenderam desde cedo a esconder a tristeza, sufocar a dor, a negar o medo ou ter vergonha da própria vulnerabilidade. Com o tempo, deixam de reconhecer aquilo que sentem e passam apenas a reagir ao mundo.

 

Em relação às emoções, fomos ensinados a fingir, a fugir, a negar, a controlar, a aguentar; e isso adoece. 

 

Não sofremos apenas pelo que vivemos, mas também pelo que não conseguimos reconhecer, nomear, subjetivar, simbolizar, identificar. Emoções que não encontram palavras não desaparecem; elas retornam como angústia, sintomas, ansiedade, repetições, vazios. 

 

É preciso um letramento emocional, ou seja, relacionar-se com as suas emoções, afetos e sintomas. O que silenciamos se manifesta em forma de colapso emocional. Enquanto estivermos em esquiva emocional seguiremos adoecendo emocionalmente. 

 

Sentir não é sinal de fraqueza. É uma capacidade humana que precisa ser vivenciada, acolhida, compreendida e elaborada. Quando aprendemos a escutar nossos afetos, deixamos de apenas sobreviver e começamos, de fato, a viver. 

 

Por uma cultura de cuidados com a Saúde Mental. 

 

Setembro Amarelo: de Setembro a Setembro.

 

(*) Eliane Cabral é Psicóloga Clínica, Especialista em Prevenção e Pósvenção em Suicídio, Especialista em Saúde Mental; Percurso em Psicanálise

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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