Opinião

Dia Nacional da Música Instrumental

"O desfrute de Hermeto em Terra Brasilis nunca esteve à altura de sua genialidade"
Da Redação
23/06/2026 às 14h03
Foto: Antônio Reis Foto: Antônio Reis

Por Antônio Reis (*)

 

O bruxo da música, Hermeto Pascoal, completaria 90 anos neste 22 de junho, mas tornou-se encantado em 13 de setembro do ano passado. Nascido em Arapiraca, no agreste alagoano, do pai sanfoneiro herdou a afinidade pela música. Com mãe, aprendeu a enfrentar o preconceito por ser albino; a ter orgulho de si e de sua arte. 

 

E não degenerou dos seus. Tornou-se multi-instrumentista, inclusive tirando sons de chaleiras, molas de carro, conchas marinhas, garrafas de plástico, bacias com água e outros objetos que os não-bruxos seriam incapazes. Deslumbrou o Montreux Jazz Festival, sendo um dos responsáveis pelo Brasil ser respeitado no mundo do jazz contemporâneo. Grammy de Melhor Disco de Jazz Latino em 2019. Tocou com a nata da MPB.

 

Certa vez um tongo me disse “ter bronca do velho besta e suas bobagens”. Compreensível, afinal o musicídio é uma das tragédias de nosso tempo. Não à toa, o adjetivo hermético significa “fechado, de difícil compreensão, complexo”. Imagine um songamonga gostar de um artista que conversava como os sapos, aprendia com os pássaros e sonhava com uma música que o conduzia encantado ao paraíso celeste.

 

O desfrute de Hermeto em Terra Brasilis nunca esteve à altura de sua genialidade. Para corrigir o fosso cultural que nos persegue desde que pintaram o pau-brasil de verde-amarelo, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para que o 22 de junho seja o Dia Nacional da Música Instrumental Hermeto Pascoal. 

 

(*) Antônio Reis é jornalista, assessor de imprensa e fotógrafo diletante

 

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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