Por Jean Oliveira
Há uma verdade simples e pouco confortável: todos nós somos tolos em algum grau. Reconhecer isso não é humilhação. É libertação.
Quando abandonamos a ideia de que precisamos estar sempre certos, abrimos espaço para aprender de verdade. O orgulho exagerado costuma impedir perguntas, bloquear dúvidas e transformar qualquer erro em ameaça. A humildade faz o oposto: permite experimentar, errar, corrigir e seguir adiante.
Do ponto de vista psicológico, essa postura também reduz um peso comum na vida moderna: a pressão de parecer sempre competente, seguro e bem resolvido. Quando entendemos que falhar é parte da experiência humana, o erro deixa de ser prova de incapacidade e passa a ser apenas parte do processo.
Há ainda outra constatação importante: não somos o centro de nada.
Vivemos em um universo vasto e indiferente. Pode parecer uma ideia dura, mas ela também é libertadora. Se não somos o centro do mundo, nossos dramas não precisam comandar tudo. A vida ganha mais leveza, mais humor e mais perspectiva.
O problema é que sabemos disso apenas em teoria. Na prática, a rotina, as pressões e o ego fazem essas ideias desaparecerem rapidamente.
Por isso, vale o exercício constante de lembrar: somos falíveis, não sabemos tudo e o mundo não gira ao nosso redor.
Curiosamente, é justamente essa consciência que nos torna mais confiantes para enfrentar desafios, mais tolerantes com nossos próprios erros e mais dispostos a estender a mão aos outros.
Jean Oliveira é psicólogo e jornalista
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