Opinião

A utilidade de admitir que somos tolos

"Quando abandonamos a ideia de que precisamos estar sempre certos, abrimos espaço para aprender de verdade"
Da Redação
12/03/2026 às 14h23
Foto: Divulgação Foto: Divulgação

Por Jean Oliveira

 

Há uma verdade simples e pouco confortável: todos nós somos tolos em algum grau. Reconhecer isso não é humilhação. É libertação.

 

Quando abandonamos a ideia de que precisamos estar sempre certos, abrimos espaço para aprender de verdade. O orgulho exagerado costuma impedir perguntas, bloquear dúvidas e transformar qualquer erro em ameaça. A humildade faz o oposto: permite experimentar, errar, corrigir e seguir adiante.

 

Do ponto de vista psicológico, essa postura também reduz um peso comum na vida moderna: a pressão de parecer sempre competente, seguro e bem resolvido. Quando entendemos que falhar é parte da experiência humana, o erro deixa de ser prova de incapacidade e passa a ser apenas parte do processo.

 

Há ainda outra constatação importante: não somos o centro de nada.

 

Vivemos em um universo vasto e indiferente. Pode parecer uma ideia dura, mas ela também é libertadora. Se não somos o centro do mundo, nossos dramas não precisam comandar tudo. A vida ganha mais leveza, mais humor e mais perspectiva.

 

O problema é que sabemos disso apenas em teoria. Na prática, a rotina, as pressões e o ego fazem essas ideias desaparecerem rapidamente.

 

Por isso, vale o exercício constante de lembrar: somos falíveis, não sabemos tudo e o mundo não gira ao nosso redor.

 

Curiosamente, é justamente essa consciência que nos torna mais confiantes para enfrentar desafios, mais tolerantes com nossos próprios erros e mais dispostos a estender a mão aos outros.

 

Jean Oliveira é psicólogo e jornalista

 

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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