Justiça & Cidadania

Cleudson deixa Birigui e muda para Brasília

Está em prisão domiciliar desde 2022 e teve autorização da Justiça para mudar de cidade após pedido da defesa
Lázaro Jr.
15/05/2026 às 18h18
Cleudson está morando em Brasília, após autorização da Justiça (Foto: Reprodução/Arquivo) Cleudson está morando em Brasília, após autorização da Justiça (Foto: Reprodução/Arquivo)

O médico anestesista Cleudson Garcia Montali, condenado pela Justiça de Birigui (SP) e de Penápolis na Operação Raio-X, mudou de Birigui para Brasília (DF). Ele está em prisão domiciliar desde dezembro de 2022 e, segundo o que foi apurado pela reportagem, teve autorização da Justiça para se mudar de cidade.

 

A reportagem pediu informações à assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) sobre o pedido de mudança de endereço, mas foi informada que o processo de execução de pena tramita sob segredo de Justiça.

 

A Operação Raio-X foi deflagrada pela Polícia Civil de Araçatuba em 29 de setembro de 2020, para cumprimento a 62 mandados de prisão temporária e 237 mandados de busca, sendo 180 no Estado de São Paulo e outros 57 nos Estados do Pará, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul). Na ocasião, a Justiça também determinou o sequestro de bens e valores, avaliados em mais de R$ 70 milhões.

 

O médico foi capturado no dia da operação, ao ser abordado em um posto de combustíveis à margem da rodovia Marchal Rondon (SP-300). A investigação apontou que a partir de meados de 2016, utilizando as OSSs Irmandade da Santa Casa de Birigui e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, ele teria passado a chefiar uma organização criminosa especializada no desvio de dinheiro público da área de Saúde por meio de contratos de gestão com Prefeituras e governos estaduais.

 

O médico foi condenado em primeira instância a 96 anos, 4 meses e 13 dias de prisão no processo que tramitou na Justiça de Birigui. Ele também foi condenado em processo que tramitou na Justiça de Birigui, pelos mesmos crimes. Porém, nesse caso o TJ-SP já julgou recurso e manteve a condenação, reduzindo a pena de 104 anos, 2 meses e 20 dias, para 88 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, reconhecendo parcialmente o recurso apresentado pela defesa.

 

Domiciliar

 

Em dezembro de 2022, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, concedeu a prisão domiciliar humanitária a Cleudso, levando em consideração laudo médico apresentado após atendimento de emergência em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) de Lavínia, cidade onde fica a penitenciária onde ele cumpria pena.

 

Foi a terceira vez que o médico obteve a prisão domiciliar. Em 2021 ele havia sido beneficiado, após a Justiça acatar pedido da defesa, mediante relatório médico atestando problemas de saúde que poderiam comprometê-lo se permanecesse na prisão.

 

Ele deixou o CR (Centro de Ressocialização) de Araçatuba em 16 de abril, mas no dia 19, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça em uma clínica e um consultório em médico em Birigui, por suspeita de que o laudo médico apresentado teria sido falsificado.

 

Revogou

 

Ao ser comunicado da investigação, Gilmar Mendes revogou o benefício e Cleudson foi capturado em 2 de maio de 2021. Na ocasião, o ministro determinou que o médico, ao dar entrada na prisão, fosse submetido a novo exame para confirmar as condições de saúde dele.

 

Em maio de 2022, o ministro Ribeiro Dantas, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), concedeu novo direito à prisão domiciliar a Cleudson, com base em atestado médico apresentado pela defesa. O benefício referiu-se apenas ao processo que tramitou na Justiça de Penápolis e ele foi mantido na penitenciária em Lavínia.

 

Internado

 

Em 25 de abril de 2024, Cleudson foi internado na Santa Casa de Birigui, supostamente após ter sido levado para atendimento médico no pronto-socorro, queixando de dores no peito. O serviço de saúde havia sido gerenciado pela OSS que ele comandaria antes de ser preso e condenado. Após passar por eletrocardiograma, ele teria sido encaminhado à Santa Casa.

 

Posteriormente, a reportagem apurou que a internação de Cleudson na Santa Casa de Birigui ocorreu após a Justiça ter revogado a prisão domiciliar concedida a ele em 2022, pelo STF. A Justiça inclusive havia autorizado uma busca na casa dele, a qual foi frustrada devido à internação.

 

Na sexta-feira, a Justiça de Birigui revogou a decisão que determinava o retorno de Cleudson para o sistema prisional e, na manhã do sábado, o médico teve alta médica, após passar quase 24 horas internado na UTI, e voltou para casa.

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