As obras de ampliação do canal de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná, em Buritama, passaram nesta terça-feira (15) pela última vistoria técnica antes da entrega definitiva, prevista para junho. Segundo o que foi divulgado, essa é considerada uma das principais obras logísticas em andamento no país e 97% do cronograma já foi concluído.
A inspeção desta quarta-feira foi conduzida pelo subsecretário de Logística e Transportes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, Denis Gerage Amorim. Também esteve presente, o ministro de Portos e Aeroportos do Brasil, Tomé Barros Monteiro da Franca.
A hidrovia é um dos principais corredores logísticos do Brasil, conectando regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste ao Porto de Santos, principal rota de exportação nacional. A ampliação do canal é essencial para manter a navegabilidade da hidrovia mesmo em períodos de estiagem severa, reduzindo riscos de paralisação no escoamento de cargas.
Retomada
As obras foram paralisadas em 2019 e retomadas em 2023 pelo governo do Estado, que entende que decisão de reativar o projeto representa uma visão de longo prazo para proteger a produção e garantir previsibilidade em cenários climáticos desafiadores.
Durante as crises hídricas de 2021/2022 e de 2014/2015, os reservatórios atingiram os níveis mais baixos da história e a navegação teve que ser suspensa.
Segundo o governo do Estado, o avanço do canal de Nova Avanhandava fortalece esse eixo estratégico e amplia a competitividade da produção brasileira, ao oferecer uma alternativa mais eficiente e sustentável ao transporte rodoviário.
Ampliação
A intervenção ocorre a jusante da eclusa de Nova Avanhandava, entre os municípios de Buritama e Brejo Alegre, e envolve o desmonte de rochas ao longo de cerca de 16 quilômetros de canal.
O contrato prevê a remoção de aproximadamente 553 mil m³ de rochas, volume equivalente a mais de 221 piscinas olímpicas. Isso permitirá a ampliação do canal para cerca de 60 metros de largura e com pelo menos 3,5 metros de profundidade.
Quando concluída, a obra deve triplicar a capacidade de transporte hidroviário dos atuais 2,5 milhões, para até 7 milhões de toneladas por ano, consolidando um novo patamar de eficiência para o escoamento da produção agrícola e industrial.
Economia
O governo do Estado também destaca o impacto direto gerado na economia regional. São cerca de 250 empregos diretos (dados atualizados em abril de 2026) e aproximadamente 750 indiretos ao longo da cadeia produtiva.
Além disso, a mudança da matriz de transporte deve trazer benefícios diretos, com redução estimada de até 82% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao transporte rodoviário.
Eclusagem
Durante a vistoria, foram entregues oito novos pontos de espera ao longo do canal. Esses espaços funcionam como áreas de suporte para embarcações e equipes envolvidas no processo de eclusagem.
Esse sistema permite a transposição de desníveis nos rios, contribuindo para maior segurança, organização do tráfego e eficiência logística. Com isso, o tempo de espera pode ser reduzido em cerca de 30%.