A jovem de 20 anos que trabalhava em uma espetaria quando foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça, na madrugada de 17 de maio, durante um homicídio na praça Alan Kardec, também conhecida como “Praças Gêmeas”, em Araçatuba (SP), passou por um novo procedimento cirúrgico.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, ela encontra-se em recuperação de procedimento realizado na terça-feira (7). Após avaliação clínica do médico assistente, foi realizada a substituição de um sistema temporário utilizado para drenagem do líquido que envolve o cérebro e faz o controle da pressão intracraniana.
Além disso, houve a revisão da ferida operatória para tratamento de alteração observada no processo de cicatrização. “As condutas foram adotadas no contexto da assistência continuada, em conformidade com o planejamento terapêutico estabelecido pela equipe médica responsável e com a evolução clínica apresentada pela paciente”, informa em nota.
O hospital reforça que em respeito à legislação vigente, aos princípios éticos da assistência em saúde, ao sigilo médico e à proteção dos dados pessoais da paciente, não divulgará informações clínicas individualizadas mais detalhadas nem comentará aspectos específicos do tratamento além daqueles estritamente necessários ao esclarecimento público.
Polícia
A reportagem pediu informações à Santa Casa, após o pai da adolescente ir à delegacia na terça-feira, para comunicar que a filha dele seria submetida a novo procedimento cirúrgico, o quinto desde que ela deu entrada na unidade em estado clínico gravíssimo.
Conforme já divulgado, consta no boletim de ocorrência relacionando ao caso, que a jovem foi socorrida com ferimento grave na cabeça, que teria causado inclusive perda de massa encefálica.
Apesar disso, a reportagem apurou que ela apresentou melhora do quadro clínico graças ao tratamento prestado e chegou a receber alta da UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Porém, após um período na enfermaria, precisou retornar ao tratamento intensivo.
Procedimentos
O pai da paciente informou à polícia que a primeira cirurgia foi realizada para remoção do projétil; a segunda para remoção de material purulento; a terceira para a colocação de enxerto de pele suína; e a quarta para implantação dessa válvula para o tratamento de quadro de hipertensão intracraniana e meningite, diagnosticada após exame do líquor.
Ele relatou que ela teria contraído meningite durante a internação hospitalar e, nas visitas realizadas, ele observou que não estaria ocorrendo a drenagem esperada após a implantação da válvula, pois essa seria a finalidade da quarta cirurgia.
De acordo com o pai, após 23 de junho, quando foi realizada essa operação, as convulsões sofridas pela filha dele se tornaram frequentes e cada vez mais fortes. No dia 26 outro médico teria assumido o tratamento, feito uma pequena intervenção e a partir daí a válvula passou a fazer drenagem do líquido que estaria sendo responsável pelo inchaço.
Preocupado
Entretanto, de acordo com ele, esse médico responsável pelo acompanhamento da paciente informou que deixaria o caso. Ele explicou que decidiu procurar a polícia diante da sucessão de procedimentos cirúrgicos e da necessidade de nova intervenção.
Para o pai da jovem, as cirurgias realizadas até o momento não produziram os resultados que foram apresentados como esperados, por isso, solicita esclarecimentos sobre a real condição clínica da paciente, dos motivos para a nova cirurgia e das perspectivas do quadro clínico da filha dele.
Prioridade
Em nota, a Santa Casa afirma que acompanha o caso dessa paciente com absoluta prioridade e atenção. Segundo o hospital, desde a admissão, ela vem recebendo assistência contínua de equipe multiprofissional especializada, sendo submetida às avaliações e aos procedimentos.
Ainda de acordo com a instituição, em cada momento da evolução clínica, foram considerados os procedimentos tecnicamente indicados pelos profissionais responsáveis por seu tratamento.
“Casos dessa natureza apresentam elevada complexidade e podem demandar reavaliações frequentes, monitoramento permanente e intervenções terapêuticas sucessivas, circunstâncias reconhecidas pela literatura médica e inerentes ao manejo de lesões neurocirúrgicas graves”, informa o hospital em nota.
Evolução clínica
Ainda de acordo com a Santa Casa, a necessidade de novos procedimentos ou de ajustes no plano terapêutico decorre da evolução clínica individual de cada paciente e deve ser analisada à luz do quadro assistencial completo.
O hospital informa que a Diretoria Técnica e a equipe assistencial recebeu os familiares da paciente, promovendo o acolhimento das manifestações apresentadas e adotando as providências administrativas necessárias para assegurar a continuidade da assistência e preservar a adequada comunicação entre a equipe médica e a família.
“A instituição reafirma seu compromisso permanente com a segurança da paciente, a qualidade da assistência, a transparência, o acolhimento humanizado das famílias e a plena colaboração com os órgãos competentes, permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos cabíveis dentro dos limites legais e éticos aplicáveis”, finaliza a nota.