O investimento de R$ 3.717.605,54 anunciado pelo Unisalesiano nesta segunda-feira (26) para obras de reforma e revitalização do CTO (Centro de Tratamento Oncológico) da Santa Casa de Araçatuba (SP), deve transformar o hospital em uma referência regional para o tratamento de pacientes com câncer.
A Santa Casa é a principal porta de entrada para os serviços oncológicos da área do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde) e concentra diagnóstico, cirurgias, terapias especializadas e atendimentos multidisciplinares.
De acordo com o que foi divulgado, em 2025 o CTO atendeu 2.065 pacientes por mês, em média, somando mais de 30 mil atendimentos no ano. Além disso, são recebidos 70 novos pacientes por mês.
Levando-se em conta a estimativa de aumento da população regional, a perspectiva é de que os atendimentos oncológicos cresçam até 10% ao ano, o que chegaria a mais de 90 mil atendimentos no prazo de 10 anos. Por isso, o investimento anunciado agora pensa no atendimento da atual demanda e da demanda futura.
Demanda real
Durante o evento para anunciar a reforma e ampliação do prédio do CTO da Santa Casa, foi explicado que apesar dos números registrados pela Santa Casa, não é possível afirmar com exatidão, quantos pacientes de Araçatuba e região estão em tratamento contra o câncer atualmente.
Hoje, todos os atendimentos oncológicos do Estado passam pela Rede Hebe Camargo, que faz o direcionamento para as unidades especializadas no tratamento. Porém, existe uma procura automática de pacientes que vão direto ao hospital de Barretos, que não entram nessa lista.
O diretor do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde) de Araçatuba, Francisco Carlos Parra Bassalobre, participou do anúncio da reforma e explicou que um dos objetivos do Estado é acabar com essa busca espontânea.
Ainda de acordo com ele, o investimento anunciado pelo Unisalesiano na Santa Casa de Araçatuba caminha nesse sentido, já que o hospital passaria a ter capacidade para fazer todo o atendimento regional. “Vamos quebrar essa rotina do pensamento de que Araçatuba não é tão bom quanto Barretos e Jales. Não, é tão bom quanto lá tem condições de fazer”, afirmou, convocando a imprensa a ajudar nesse esclarecimento ao público.
Qualidade
Bassalobre afirmou que o atendimento prestado pelo CTO da Santa Casa de Araçatuba hoje está muito próximo do que é oferecido em Jales, por exemplo. De acordo com ele, com o investimento que está sendo feito, também se alcançará o tratamento oferecido em Barretos.
Por isso, a proposta é que com a ampliação da capacidade, todos os novos pacientes da região sejam atendidos em Araçatuba. “Os pacientes novos terão todo atendimento aqui. Você vai ter capacidade e toda logística para atender”, afirmou.
Com relação aos pacientes que já fazem tratamento em outra unidade, eles serão mantidos nessa rotina, até por já estarem ambientados. Já os pacientes que fazemtratamento paliativo, por exemplo, e que são atendidos na Santa Casa, devem ser direcionados para hospitais da região, que estão com capacidade ociosa, aliviando a sobrecarga do hospital.
Financiamento
Com relação ao financiamento do atendimento após a conclusão da obra, o diretor do DRS-2 explicou que o pagamento pelos serviços prestados é feito de acordo com a produção. “Existe uma produção que a Santa Casa precisa comprovar para receber. Todo recurso estadual ele tem que ter uma produção e vai ser pago de acordo com a produção. Como eles vão reestruturar, eles vão aumentar essa produção, eles vão receber por ela”, esclareceu.
Bassalobre reforçou que a tabela SUS Paulista também contempla os procedimentos oncológicos, que serão ampliados, e o valor será aumentado de acordo com os procedimentos.
Ele declarou que para o Estado é interessante esse investimento que foi anunciado nesta terça-feira, pois a ideia é sempre ter um serviço de oncologia próximo à região em que o paciente mora. “Araçatuba tem um hospital qualificado já com o atendimento, que será ampliado. Aquilo que for ampliado e estará sempre a serviço do paciente, o Estado está sempre a par com eles”, afirmou.
Por fim, Bassalobre afirmou que atualmente o DRS-2 tem cumprido o prazo de 60 dias para encaminhar os novos pacientes para atendimento nas vagas disponíveis, apesar de esse tempo de espera já ter chegado a seis meses, no início da atual gestão estadual.