A auxiliar de enfermagem Neusa Rodrigues Lopes deixou a Santa Casa de Araçatuba (SP) nesta semana, após 63 anos e 10 meses de trabalho na instituição, sendo a profissional com trajetória mais longeva da história do hospital.
De acordo com o que foi divulgado, ela optou em aderir ao PDV (Plano de Demissão Voluntária), que faz parte da estratégia de reestruturação instituída na Santa Casa, para incentivar colaboradores com mais de dez anos de trabalho a pedirem demissão.
Uma solenidade foi realizada na manhã da última terça-feira (9) para marcar a despedida da profissional, que foi homenageada por dedicar de boa parte da vida dela ao trabalho hospital.
A solenidade teve a participação de dezenas de colegas de trabalho, do marido dela, Nelson Lopes Olier, do filho, Luiz Henrique Rodrigues, e outros familiares. E a possibilidade de passar mais tempo com a família foi o que a levou a aderir ao PDV.
“Decidi optar pelo PDV por ver nele a oportunidade de poder descansar ao lado dos meus familiares, recebendo os benefícios e incentivos oferecidos pela Santa Casa”, informou à assessoria de imprensa do hospital.
Trajetória
Quando Neusinha foi contratada para trabalhar como auxiliar de enfermagem, em 14 de fevereiro de 1962, o hospital tinha 25 anos e a estrutura física se resumia ao pavilhão que deu origem à instituição, em 1937.
Na época, os pacientes eram em grande maioria, “indigentes”, denominação dada aos doentes sem cobertura pelo antigo INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), política previdenciária que vigorou até a criação do SUS (Sistema Único de Saúde), em 1988.
Contratada pelas freiras do Apostolado da Ordem do Sagrado Coração de Jesus, que gerenciava os setores de assistência até o fim da década de 1980, Neusinha trabalhou inicialmente na equipe de enfermagem da irmã Zoé.
Banco de Sangue
Efetivada posteriormente no Banco de Sangue, ela se destacou pela agilidade em coletar sangue dos pacientes internados para a tipificação necessária a transfusões e em doadores que compareciam voluntariamente à unidade.
Também era responsável pela organização das bolsas para análises clínicas em Bauru e por procedimentos para transfundir em pacientes internados.
Evolução
Com o passar dos anos, o então Hospital Sagrado Coração de Jesus cresceu e tornou-se o que a Santa Casa é hoje, referência de alta complexidade para 40 cidades da área do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde).
E todo esse processo contou com o trabalho e a dedicação de Neusinha, como é carinhosamente chamada. Ela participou diretamente da criação do Banco de Sangue, um dos primeiros avanços do hospital, e da transformação da unidade em Agência Transfusional, ocorrida em 2006.
Até há alguns anos, percorria com agilidade os corredores que separam a Agência Transfusional de todos os setores de assistência do complexo hospitalar. “A rapidez do nosso trabalho faz a diferença no sucesso do tratamento e na luta para salvar a vida de pacientes graves”, afirma Neuzinha.
Segundo a assessoria de imprensa, a agora ex-funcionária sempre se destacou pelo comprometimento, bondade e carinho no trato com os pacientes, colegas de trabalho e chefias.
Lealdade
Servidora disciplinada em relação aos planos de trabalho das diretorias que estiveram na gestão da instituição em mais de seis décadas, Neusinha é lembrada por sua lealdade à instituição e aos diretores.
Ao longo desses 63 anos, ela trabalhou para dez provedores, tendo iniciado na gestão de Carlos Castro Neves (1955-1980) até a atual, de Éverton Santos, que assumiu a diretoria executiva em julho deste ano.
Nessa jornada, ela alcançou seis gerações de pessoas nascidas no hospital, acompanhou a chegada e a aposentadoria de dezenas de médicos, centenas de profissionais das várias áreas e a formação de incontáveis novos profissionais.
Homenagem
Em nota, o atual provedor comenta que Neusinha é a colaboradora que mais contribuiu para a Santa Casa de Araçatuba, em 63 anos de amor e de entrega.
“Quando entrei para trabalhar no hospital, há bastante tempo, ainda menino, cheio de sonhos, medos, incertezas, já via a dona Neusinha trabalhando, andando por esses corredores, fazendo com que a máquina administrativa e assistencial continuasse funcionando em prol daquele que é o nosso objetivo maior, o paciente”, declarou Santos durante a solenidade.